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A Diva do Sofá

Porque gostamos de ver filmes e séries, mas quer em casa, quer no cinema o importante é estarmos bem instalados.

A Diva e o exercício físico

26.08.17 | A Diva do Sofá

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 É verdade, hoje é sábado mas apeteceu-me escrever para falar um pouco sobre a questão do exercício físico que muitos acham que começando esta missão - de estar em forma - três meses antes do Verão a coisa vai estar nos conformes quando tiverem de ir para a praia.

 

Ora bem, não está. Mas pensar que está e ver no espelho o que se quer ver é uma motivação tão boa como outra qualquer.

 

Durante muitos anos, mas muitos anos mesmo já que eu entrei para a ginástica com 3-4 anos e saí com 20 ou 21, pratiquei ginástica acrobática. Inicialmente não era de competição é claro, mas alguns anos depois tornou-se de competição. Também inicialmente os treinos não eram diários, mas mais tarde tornaram-se diários (incluindo fins-de-semana) e nunca eram menos de 2 a 3 horas por dia, sendo que aos sábados podiam chegar às 5. Fazer isto durante 15 ou 16 anos de seguida, e apanhar ali aquela parte da adolescência mais toda a parte da escola, requer muita disciplina e apoio tanto da parte de quem pratica o desporto como da parte dos próprios pais porque a partir de uma determinada altura deixa de ser actividade física só porque sim, mas passa a ser algo mais. 

 

Não pensem que eu era assim uma grande atleta porque na verdade eu era um bocado trapalhona, gostava imenso do que fazia, gostava imenso de sentir a adrenalina a correr quando fazíamos sequências de tumbling ou saltos de mini-trampolim, mas nunca me preocupei muito em fazer tudo perfeitinho até porque tinha medo de fazer alguns dos exercícios como devem imaginar. Quer dizer... a malta vai a correr e atira-se mas vamos lá com calma porque algumas cenas aleijam à brava. 

 

É claro que esta questão das lesões vêm com o pacote e eu assisti a algumas um bocado chatas quer em campeonatos, quer nos treinos e como não era imune a estas coisas também tive a minha dose sendo que duas delas têm as suas consequências nos dias que correm. Numa delas, não sei muito bem o que é que fiz, caí com o dedão grande do pé dobrado e penso que o devo ter partido. Digo penso, porque ninguém me levou ao hospital ver se estava mesmo partido (na altura ainda não tinha idade para ir pelos meus próprios meios). De facto o dedão e o pé em geral estavam um bocado inchados e o dedo não dobrava mas como podia andar, também não me pareceu que fosse muito grave e naquele momento até nem me doía muito... o problema foram as horas a seguir e o dia a seguir. Isso é que era doer, que eu nem conseguia pôr o pézinho no chão. Mas aguentei-me estoicamente, porque não queria ir ao hospital. Se calhar foi um disparate, mas na minha cabeça eu achava que era uma coisa tão simples como torcer um pé numa corrida de aquecimento, e que se voltasse ao exercício a coisa passava. A verdade é que passou, demorou foi um bocadinho mais tempo, mas no dia a seguir lá estava eu. Cheia de dores com o pé enfaixado mas siga, que não passa nada.

 

A última lesão que tive é que me lixou à brava. Deu-se para aí 2 anos antes de eu largar a ginástica e apesar de não ter sido o principal motivo para tomar tal decisão, também teve o seu peso. E então o que é que aconteceu? Estávamos nós a treinar sequências de tumbling e - se não sabem, passam a saber - numa série de exercícios de tumbling a malta vai ganhando velocidade ao longo da sequência e quando chegamos ao fim já levamos uma velocidade considerável que não deve ser parada de qualquer maneira. Portanto quando nos preparamos para aterrar (à falta de melhor termo), a primeira coisa a tocar no chão deve ser a ponta do pé. Por algum motivo que agora não consigo precisar, eu devo ter achado que o ideal era aterrar com os calcanhares e foi o que fiz.

 

Baaaaaad mistake!

 

No momento em que os meus calcanhares tocaram no chão, os ossinhos das rótulas saíram do sítio. Cada um para seu lado. Portanto, se vocês acham que partir ou rachar o dedão do pé dói à brava, haviam de ver o que dói quando os dois ossinhos do joelho saiem do sítio ao mesmo tempo... e pior... o que dói pô-los no sítio outra vez. Sim, porque se acham que eu ia ficar alí com eles fora do seu sítio original estão muito enganados. Não sei se foram segundos ou minutos, mas sei que antes de cair no chão dei dois porradões de lado nas protuberâncias que me estavam a sair dos joelhos e meti-os de volta no sítio de onde não deviam ter saído, depois então sim cai no chão cheia de dores e não, também não fui para o hospital. Apesar de ter demorado um bocadinho até recuperar a respiração, não achei necessário visitar as urgências do hospital uma vez que tinha metido os dito cujos no sítio e conseguia andar... devagarinho e com dores, é certo, mas andava. É claro que uma semana depois acabei por ir ao Centro de Medicina Desportiva, porque continuava a ter dores e por muito exercício que fizesse elas não passavam.

 

Resumindo, a minha má aterragem e posterior decisão de não me submeter a uma cirurgia (que - note-se - me iria deixar com ambas as pernas engessadas durante 15 dias nas férias do Verão... impensável!!), custou-me um desvio nas rótulas, fisioterapia para fortalecer os músculos dos joelhos, um par de joelheiras com um buraquinho no meio que eram muito quentinhas e davam jeito no inverno mas eram o cão no Verão, e o aviso de que isto a partir dos 40 ia ser mais animado.

 

Pois eis-me aqui a partir dos 40 e confirmo que no outro dia, quando a malta andava aí toda de língua de fora com o calor e o excesso de humidade, foi uma porra de uma animação... fartei-me de insultar o estupurado do médico do Centro de Medicina Desportiva. Afinal tinha de insultar alguém e não me ia insultar a mim obviamente. Portanto, quando vos disserem que o exercício faz bem à saúde é mentira. Tem dias. Tem dias em que faz bem à saúde e tem dias em que dói à brava. 

 

Actualmente, não pratico nenhum desporto e ainda não consigo conceber a ideia de praticar exercício físico por si só. Já tentei várias coisas mas ao fim de algum tempo é aborrecido, inútil  e desisto, porque não têm aquela dose de adrenalina que nos faz correr e que um desporto de competição tem. Para mim praticar desporto só porque faz bem, ou para manter em forma, ou para se ficar com um corpo jeitoso para pavonear na praia é fútil, não chega. É pouco, é demasiado pequeno e demasiado insatisfatório para sequer considerar a hipótese de fazer alguma coisa. Por isso é que eu não consigo perceber coisas esquisitas como o "running" ou o "jogging", aos meus olhos parecem-me apenas uns imbecis a correr de um lado para o outro sem qualquer tipo de propósito útil, mas notem isto é muito injusto da minha parte porque eu sei - por longa experiência própria - que a corrida aumenta os níveis de resistência. Mas e mais? Qual é o objectivo maior da coisa? Na minha cabeça, para mim tem de haver sempre mais alguma coisa, ou então não serve.

 

Bom fim de semana.        

     

Da recente polémica em torno da Porto Editora

24.08.17 | A Diva do Sofá

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Tenho visto, ou neste caso lido, uma enorme quantidade de disparates acerca da polémica sobre os livros de actividades para meninas e para rapazes, por isso eu resolvi partilhar a minha opinião acerca deste assunto com a ilustração da Sara Herranz para a a 190º The Magazine

 

No dia em que estalou a polémica, o meu marido - como bom finlandês que é - perguntou-me: "O quê? Mas vocês ainda andam a discutir isso?"

 

Eu, encolhi os ombros e respondi-lhe: "Aparentemente". 

 

Enquanto isso, perguntavam-me no meu mural do facebook: "Mas o que é que se passa na cabeça destas pessoas?"

 

" Ora bem... a mim parece-me que não passa nada porque o ratinho que faz a rodinha girar deve ter fugido para parte incerta e sem aviso prévio." Respondi. 

 

Na verdade, eu não tenho nada contra os livros da Porto Editora, nem contra a atrasadice mental que grassa por aqueles cérebrozinhos do tamanho de uma amíba. Todos temos o direito a ser idiotas uma vez por outra, no entanto atentem que se trata apenas de um direito e não de uma obrigação. 

 

Eu nem sequer me vou dar ao trabalho de me pronunciar sobre a aberração e o insulto que, para mim e para a minha inteligência, são aqueles livros, mas preocupam-me seriamente os disparates que as "Evas" neo-feministas vão vomitando por aqui e por ali, escudando-se cobardemente atrás de princípios democráticos e constitucionais -  como o direito à liberdade de escolha -  mas ignorando que a Constituição da República Portuguesa contempla também outros princípios tão importantes quanto esse e pressupondo sempre que o exercício de cada um deles implica o respeito pelos demais.  

 

Por isso, sim. Eu tenho alguns problemas com alguns disparates que alguns fazedores de opinião vão dizendo por aí, porque apesar do discurso parecer bastante bem articulado, só funciona até começar a desmontá-lo.  

A Diva e o episódio 6 da Guerra dos Tronos

21.08.17 | A Diva do Sofá

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 Não, hoje não vos presenteio com Dragões a botarem fogo pelas ventas e a queimarem tudo e mais alguma coisa... podia, mas não vou fazê-lo porque vi o episódio 6 ontem e só mais logo é que passa no SyFy (e eu vou ver outra vez). Por isso, querem saber o que vai acontecer vejam o episódio mais loguinho.

 

No entanto aconselho que tenham por perto:

 

  • lencinhos de papel e;
  • fraldinhas para adultos (só pelo sim, pelo não).

É muito importante, também, fazerem algum aquecimento prévio aos músculos visto que em alguns momentos pode haver uma certa inclinação para se saltar da cadeira e não queremos que fiquem com uma distenção ou assim.

 

Outro conselho muito útil é mandarem os putos para cama antes de começar o episódio, pois assim sentir-se-ão mais livres para insultar a televisão, os personagens, os vivos, os mortos, os dragões, os ursos e aquela cangalhada toda. Aliás, devo dizer-vos que o meu vocabulário de ontem à noite era assim:

 

"Foooooooooooooogooooooo!!!!!" - Com um "D" e um "A" muita grandes e com um sufixo a seguir.

 

"Corre!!! Seu estúpido de cóco!!! Queres o cóco das pernas p'ra quê?!" - Com um "M" bem maiúsculo para adjectivar, assim, com a alma.

 

"Oh-oh!... Não."

 

"Oh-oh!... Não, não... Estão tão lixados! Agora é que lixaram este cóco todo!" - Com "F"'s e "M"s gigantescos e a bold.

 

Também vão ter momentos de alegria... vá assim tudo juntinho talvez chegue a 1 minuto em que podem dizer "Yaaaaaaaaayyyyyyyyy!!!!!" e dar pulinhos à volta da cadeira, mas não se estiquem porque logo a seguir começam os palavrões outra vez. Além disso movimentos bruscos também podem causar distenções num joelho ou qualquer coisa do género e depois começa o pânico com o:

 

"Não-não-não-não-não-não-não... Não-não-não."

 

E termina com o fatídico:

 

"Epáááááááá...Não... 'Tá tudo lixado!" - Com um "F" daqueles super sentidos.

 

Pronto e é isto um breve resumo do episódio 6 da 7ª temporada da Guerra dos Tronos que é mesmo mais longo que todos os outros episódios anteriores. Por isso, divirtam-se e depois falamos. 

   

 

 

A Diva versus Religião

18.08.17 | A Diva do Sofá

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 Normalmente nunca sei sobre o que é que vou escrever nos dias em que publico aqui no blogue. Tenho sempre imensas ideias, muitas vezes até tenho agendado o que vou escrever nos dias previstos mas depois mudo tudo à última da hora. Por isso deixei de planear publicações com antecedência, apesar de dar imenso jeito fazê-lo.

 

Hoje vinha no autocarro a pensar sobre o que é que iria escrever. Primeiro pensei em dizer mal dos Dinamarqueses (que é giro e escreverei sobre tal noutra altura), depois pensei em falar-vos um pouco dos bons projectos feitos nas nossas escolas (que também é muito giro e sobre o qual também falarei a seu tempo porque ainda não decidi em que moldes é que vou fazê-lo), depois pensei em falar sobre nacionalismos actuais e respectiva comparação com as vagas nacionalistas do século XIX (que são muito parecidos mas não sei até que ponto isto não se pareceria mais com um texto académico), depois também pensei em falar sobre os acontecimentos em Barcelona, mas achei que não era apropriado alimentar e/ou dar visibilidade a práticas com as quais discordo. No entanto, na sequência deste último decidi que ia falar sobre as minhas experiências com a religião.

 

Eu não tenho nenhum credo religioso e nem sequer sou baptizada. Gosto da temática da religião como uma área de estudo ligada à antropologia ou à antropossociologia, gosto do tema como fonte de inspiração para enredos de histórias fantásticas, mas não gosto da religião como algo que deva ser levado a sério. Ao contrário de Descartes, não acredito no dualismo da alma mas compreendo e aceito que - por algum tipo de necessidade - as pessoas encontrem conforto espiritual neste tipo de crenças. Posto isto, importa também dizer que o meu relativismo cultural termina no exacto momento em que me tentam impôr uma fantasia que atenta contra o meu modo de vida e/ou valores. 

 

Os meus encontros com a religião começaram quando entrei para o 1º ciclo da escola preparatória e fui obrigada a frequentar aulas de Religião e Moral... que desgraça... primeiro aquelas aulas nunca chegavam ao fim porque a maioria dos miúdos iam para a rua antes da aula acabar, segundo nunca percebi porque é que tinha de estar ali sentada, durante 1 hora, a ouvir uma senhora a contar histórias chatas que estavam num livro e terceiro nunca ninguém me explicou porque é que eu tinha de acreditar naquilo. 

 

Mais tarde (sim, porque isto durou até ao 7º ano), as minhas questões começaram a tornar-se mais elaboradas, mais complexas e ninguém me dava respostas que eu considerasse minimamente satisfatórias. Concluí então que se era para acreditar em algo no domínio do fantástico, nesse caso mais valia acreditar naquilo que eu queria e não naquilo que me queriam impingir.

 

Entretanto à medida que fui crescendo, estes encontros com elementos de religiões diferentes foram-se tornando mais engraçados. Uma vez, com umas testemunhas de Jeová deu-me uma crise de riso tão grande que para além de chorar até fiquei com soluços. Coitadinhos... eles abriam a boca e eu já me estava a rir, bem que eu tentava dizer que não estava a gozar com eles mas não conseguia parar de rir. Felizmente, o meu namorado da altura - que era muito mais politicamente correcto - interveio mas foi muito dificil parar de rir.

 

Noutra vez foi um rapaz Turco que era participante num dos nossos seminários. Ele era super simpático o pobrezinho, mas cometeu o erro de me perguntar o que é que eu achava da entrada da Turquia na União Europeia. Respondi-lhe 3 vezes que não era uma boa ideia ele fazer-me essa pergunta. Quando me perguntou porquê, disse-lhe que não ia gostar da resposta. Quando ele me fez a pergunta pela 4ª vez, eu dei-lhe a resposta que ele não queria ouvir. A partir daí, passou o tempo todo a falar-me do Islão e no fim até me ofereceu uma revistinha. Dentro deste mesmo tema do Islão, antes deste episódio tinha tido outro na Universidade com uma colega minha em que um dia, estava a dizer-lhe cobras e lagartos dos muçulmanos, e de facto percebi que ela estava um bocado calada. Quando acabei o meu discurso, ela vira-se para mim e diz-me assim: "Então isso quer dizer que não gostas de mim?".

 

Respondi-lhe: "Mas estás parva? Porque razão é que não haveria de gostar de ti?"

 

Contra-resposta: "Ah é que eu sou muçulmana."

 

E isto meus caros, é o que se chama "Toma e embrulha".

 

Todavia, pensariam vocês que a coisa ficaria por aqui. Mas não.... Olhei para ela, dei-lhe um abracinho e um beijinho na testa e respondi; "Ooooooh fofinha! Que disparate. É claro que gosto muito de ti... além disso todos temos os nossos defeitos, pronto."

 

O episódio mais recente que na verdade não chegou a acontecer (mas foi pena porque gostava de ver o que é que tinham para dizer), foi com os Mormons. Não houve grande espaço para qualquer tipo de interacção ou troca de ideias porque o meu marido me arrastou dali para fora (ele não gosta muito de religiões), mas pronto tenho a certeza que haverão outras oportunidades. Até lá deixo-vos com um projeto que se chama "The Atheist Experience", e o episódio da Evolução e da Banana que é hilariante.

 

 

  

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