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A Diva do Sofá

Porque gostamos de ver filmes e séries, mas quer em casa, quer no cinema o importante é estarmos bem instalados.

Porque gostamos de ver filmes e séries sempre bem instalados.
Qua | 12.04.17

Da série "I hate people".

Helena R. Moisio

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Estava aqui a pensar no quanto detesto pessoas como regra geral. É verdade que esta se trata de uma afirmação, um tanto ou quanto, injusta porque estou a generalizar e a realidade é que a coisa não é assim tão linear como parece à primeira vista. 

 

Quando eu digo; "detesto pessoas" não estou a incluir o mundo inteiro, mas estou automaticamente a caracterizar comportamentos e situações de terceiros que me causam desconforto. A gradação do desconforto pode posteriormente variar entre o "estás aqui estás a levar com um taco de baseball nos cornos" até ao " bacano, agora a sério... quem é que te ata os atacadores?". As situações mais frequentes são as relacionadas com as questões sobre os "atacadores", as outras - relacionadas com os tacos de baseball - são menos frequentes porque se tratam de respostas mais agressivas relacionadas com a percepção individual de invasão e/ou ameaça. 

 

Por exemplo, não sei se vos acontece, mas uma coisa que me deixa completamente doida são as filas dos supermercados. Desde logo eu tento ir o menos possível a supermercados (prefiro fazer as compras online), porque não percebo e não tenho paciência para pessoas que andam por ali a passear. Não consigo entender o conceito de passear num supermercado, nem o de levar criancinhas a passear no mesmo e confesso que também não quero entender porque seja porque razão for, o que eu sei é que não tenho que levar com isso excepto em situações de emergência.

 

É nestas situações de emergência que se integra a questão das filas do supermercado. Eu não sei qual é o problema que as pessoas têm em respeitar o espaço individual de cada um. É um problema de distâncias. Normalmente, não conheço o outro de lado nenhum para que este sinta que tem o direito de estar coladinho à minha pessoa. A este tipo de "invasão/ameaça", por norma, respondo de forma agressiva que pode variar entre o rosnar ou dar-lhes uma pisadela inesquecível.

 

Poder-me-ão perguntar vocês: "Então e os transportes públicos?"

 

Ó meus amores....  Nunca, mas nunca, entro em qualquer transporte público que esteja apinhado nem que esteja atrasada para o que quer que seja. Da mesma maneira que, por norma, não frequento locais cheios de gente. Já estão a imaginar o meu desespero nos santos populares não é? Eu, que até gostava de mostrar ao marido essas celebrações e coisas assim, ele diverte-se e eu fico ali - numa espécie de tortura -  a sentir-me ameaçada por todos os lados. É uma sensação horrível digo-vos já.  

 

Ainda assim, o que me aflige mesmo é o respeito pela distância pessoal. Ou falta dele neste caso.

  

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Qua | 05.04.17

Australia

Helena R. Moisio

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Pois é... no outro dia, o meu finlandês favorito saiu-se com uma proposta genial:

 

"Então e que tal mudarmo-nos para a Austrália?"

 

Considerando a natureza da pergunta, parti logo do principio que ele não se estava a referir, propriamente, às férias e perguntei-lhe logo de seguida se ele tinha batido com a cabeça em algum lado.

 

 

Não tenho nada contra a Australia, é até - segundo dizem - um excelente país para se viver actualmente e uma vez ultrapassadas algumas questões relativas à sua origem histórica até poderia ser interessante não fosse o caso de albergar mais espécies mortais por metro quadro do que há Roll's Royces em Hong Kong. Inclusive, antes prefiro um Roll's Royce nas mãos de um louco a um encontro com um predador venenoso naquela ilhota. 

 

Na verdade, a exuberante fauna existente down under foi a primeira coisa que me ocorreu (demasiados episódios do National Geographic presumo), senão vejamos:

 

  • Tubarões - e já estou a excluir os de duas pernas. Desde do tubarão-touro (não sei se é exactamente assim que se traduz), até ao grande tubarão branco estão lá quase todos e se eu já não gosto de praias sem tubarões, muito menos gosto delas com.

 

  • Alforrecas (i.e. Box Jellyfish e irukandji mais precisamente) - altamente perigosas e mortais. Também costumam passear pela praia, o que eu penso que é um bocado chato.

 

  • Cobras - se for altamente mortal, vive na Austrália. Se não vive na Austrália, é a coitadinha que tem o GPS estragado e foi parar a outro sítio por engano. 

 

  • Crocodilos - Fora do Jardim Zoológico... onde houver água, há crocodilos e nota-de-rodapé; não se deixem enganar porque estes bichitos correm que se desunham.

 

  • Aranhas - Tudo o que for aranha grande, gorda, peluda e mortal vive na Austrália. Quer dizer, quando eu esporadicamente me deparo com um aracnídeo assim mais bem alimentado e com pêlos, apesar dos pulos, dos gritos e do arraial todo, ainda lhe dou umas vassouradas. Mas para estas aranhas australianas não vamos lá com uma vassoura, isto só de bazuca ou lança rockets e eu não acredito que as autoridades locais me deixassem ter uma coisa destas em casa, até porque era capaz de perturbar os vizinhos.

 

  • Abelhas - Lembrem-se sempre das sábias palavras de Murphy: "Nada é tão mau que não possa piorar", na Austrália até as cabras das abelhas são consideradas altamente perigosas. Podiam ser como as abelhas europeias, que também picam a malta chia um bocado mas põe-lhe um bocado de vinagre (ou assim) e a cena passa mas, não. A abelha australiana tinha que ser diferente, porquê? Porque não pica só uma vez. Pica várias.  

 

  • Há também; sapos, formigas-touro, carraças australianas e centopeias gigantes - Ou seja, uma pessoa não faz outra coisa senão andar, na melhor das hipóteses, a enxotar insectos perigosos e bicharocos afins.

 

Conclusão: Eu já não tenho vida para isto, nem fiz o curso de sobrevivência dos SAS para lidar com tanto bicharoco e no fim disto tudo ainda nos arriscamos a levar uns sopapos de um canguru, era só o que faltava! Australia, não. Nem pensar.

 

 

 

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Seg | 03.04.17

Haircuts

Toni

Hi ! Or angry hi?

 

To start with, i am not actually angry about anything in Portugal. 8 years in this country have left me.... how would you say... with lower expectations. For example with bus schedules, which i will get to later.

 

One thing however has led me to very high expectations, in cruelty. This particular one is very mundane. It is no more, no less, than the arduous task of getting a haircut. Yes, a simple haircut. Let me explain.

 

Where i'm from, you go get a haircut, it goes something like this:

 

They: How would you like your hair cut?

Me: Shorter than it is now

They: Right, well your hair seems to be washed already so let's get to it.

 

Here is where 20 minutes pass and i'm done and free to go on with my life.

 

Not here. Ohhhhh no. Here they treat you like you're a 90 year old man and nothing you say can be taken seriously. Here it goes like this:

 

They: How would you like your hair cut?

Me: Shorter than it is now

They: *Illustrations of different haircuts because "shorter" is not a haircut*

Me: That one

They: Ok, now lets go wash your hair

Me: But i just washed it not 20 minutes ago

They: *the 90 year old man look, who cannot be taken seriously*

Me: *sigh* Let's go wash my hair

They: Let me turn on this massaging chair, that is really just meant to make you feel even more uncomfortable, but at the same time worth your money. While you're there feeling uncomfortable and awkward, please watch this fashion show we have playing on the ceiling TV, while people waiting their turn are watching you do exactly that.

 

After this unsettling experience, where you dont really know if you should smile or What, we finally get to cutting the actual hair. This part, i must admit, goes better than anything i have ever experienced in Finland. Much better. And after the haircut is done? What happens?

 

Another wash. With a massage. And the fashion show.

 

I recently found an old man, not 90 or i wouldn't take him seriously, but a man who cuts my hair in 10 minutes flat, charges 9 euros for it and believes me when i say i just washed it.

 

And he doesn't have a massaging chair OR a tv in the ceiling playing fashion shows.

 

I like this man. He reminds me of normality.