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A Diva do Sofá

Porque a vida em tons de cor-de-rosa é tão gira que devíamos atropelá-la com um camião TIR.

A Diva do Sofá

Porque a vida em tons de cor-de-rosa é tão gira que devíamos atropelá-la com um camião TIR.

Em modo criativo

Eu não sei como é que é com vocês mas, euzinha aqui, desde os 16 anos que tenho a mania que escrevo umas coisas a que chamo histórias. Sim, histórias e não estórias. Aqui na minha caverna chamam-se histórias, com um "h" minúsculo, porque quando se escreve com um "H" maiúsculo estamos a referir-nos ao substantivo História. Foi assim que me ensinaram na escola e eu não considero que a distinção seja assim tão complicada de fazer ao ponto de ter de modificar a palavra para perceber as diferenças de utilização. Como tal, aqui neste espaço nunca irei usar a termo "estória". Mas, voltando ao assunto de facto tenho mesmo a mania que escrevo umas coisas e, efectivamente, até escrevo. Não mostro praticamente a ninguém, excepto a um núcleo muito restrito de pessoas porque - diz a minha terapeuta - que tenho medo da rejeição (é claro que ela não me disse isto assim desta forma). Pessoalmente, eu acho sempre que o que tenho escrito é tão barbaramente mau que não preciso que ninguém me diga o que eu já sei... ou, o que eu acho que sei.

 

Para além desta auto-imposta limitação, um dos maiores problemas com que até agora me tenho deparado é o facto de recorrer, na maior parte das vezes, a um estilo de escrita livre no qual as ideias vão surgindo e a malta vai escrevendo à medida que as coisas vão acontecendo. Resultado prático; quando chegamos para aí à página 120 constatamos: "Fooooogo!... Já estou perdida. E agora?"

 

Pois é, e agora?

 

Agora, vais ler esta cagada toda desde o início para tentares perceber onde é que estás e muito mais importante, para onde é que queres ir. Conclusão, este exercicio permanente, além de ser cansativo, acaba com a motivação de qualquer um e faz com que tenhamos uma sensação constante de que nunca chegamos a lado nenhum e está sempre tudo incompleto.

 

No primeiro fim de semana de Fevereiro, tive uma nova crise de criatividade quando fui ao cinema mas num modelo diferente e quando cheguei a casa montei a estrutura toda de uma história em 40 minutos. É como se fosse um mapa. Sabemos onde estamos, sabemos onde queremos chegar e sabemos que há imensos caminhos para chegar ao nosso destino. Depois de montado o esqueleto, o passo a seguir é começar construir os demais elementos como os cenários, os personagens etc., e no meu caso eu recorro imenso a imagens principalmente como fonte de inspiração para criar personagens.

 

Como a minha onda é mais (bem mais) o universo do fantástico, encontro sempre montes de ideias na arte digital e uma das minhas artistas favoritas é a Mavrosh (deviantart). Foi nas criações dela que encontrei a inspiração para criar uma personagem menor (ou pelo menos era para ser uma personagem menor, entretanto já acho que vou ter de promovê-la), a quem provisoriamente está atribuído o papel de antagonista e parece-se com isto:

 


The White Naga by Mavrosh on DeviantArt

 

Quando olhei para a criatura pensei: "Olha que fixe já tenho alguém para criar drama, matar e introduzir mais à frente outra personagem pior que esta.". Fiquei super contente. A sério que fiquei. O problema veio depois... é que um antagonista - mesmo que pequeno - tem a sua história, as suas vivências e as suas percepções. Então o que é que eu fiz? Construí-lhe uma história pois então!... E lixei esta porcaria toda! Agora como me afeiçoei a esta criatura não consigo matá-la. É verdade que não está previsto que seja nenhum menino do coro (até porque julgando pela figura em anexo dificilmente se enquadraria em tal categoria) e vai ser lixado para as minhas personagens principais mas, matá-lo epicamente como estava previsto deixou de ser uma opção viável... por enquanto.

 

Olhem que isto de construir personagens é tramado.

 

 

 

   

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Dos Paradoxos

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Caso ainda não tenham dado conta, outro dos meus grandes afetos é a arte da fotografia, no entanto devo confessar que não tenho jeito absolutamente nenhum para a coisa. Sou, na verdade, um verdadeiro cepo neste domínio e não importa se uso um telemóvel ou se uso uma câmara fotográfica porque a minha falta de talento e competência nesta área é gritante. 

 

Todavia, isso não quer dizer que não aprecie e/ou não reconheça o talento dos outros. Há imensos artistas fotográficos espalhados por esse mundo fora e ainda bem que assim é, pois o mundo registado pelos olhos de um fotografo é sempre diferente do mundo registado pelos olhos do mais comum dos mortais. Não é que o mais comum dos mortais não consiga registar o mundo tal como o vê, claro que consegue e vale o que vale, mas presumo que os fotografos tenham uma sensibilidade diferente para apanhar os detalhes que muitas vezes nos escapam como, por exemplo, o detalhe retratado nesta fotografia cujo autor desconheço.

 

Assim de repente, esta é apenas mais uma fotografia entre tantas outras mas, para mim, retrata com uma simplicidade exemplar um paradoxo lindíssimo. Reflecte um contraste brilhante entre a tristeza espelhada no rosto de uma criança e a mensagem da camisola que ela veste. Aos meus olhos, é nesta fantástica dissonância entre a realidade do que efectivamente é e a mentira do que se anuncia que eu encontro uma beleza extraordinária.

 

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Desafios de 2017 - Anorexia

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 No final de 2016 propuseram-me um desafio sobre o qual não é muito fácil de escrever pelos mais variados motivos, desde logo porque implica ter de partilhar uma experiência pessoal. No entanto, presumo que seja exactamente por isso que se trata de um desafio e é, exactamente, devido à minha experiência com a coisa que me propuseram escrever sobre isso.

 

Qual é então a temática em questão?

 

Ora bem, o tema em causa está debaixo do nariz de toda gente, afeta ambos os géneros e ninguém fala nisso. Ou melhor, são muito poucos os que se debruçam sobre esta matéria e blogues pessoais, praticamente, não há. O tema é a Anorexia Nervosa, ou versão curta da coisa: Anorexia.

 

Vamos então começar pelo básico. A definição de anorexia, na minha óptica, é uma perturbação do comportamento alimentar que se caracteriza por uma vontade absoluta de ser magro, um medo aterrador de ganhar peso e faça-se o que se fizer, quando olhamos para o espelho vamos ver personagem do outro lado sempre gorda. Mesmo quando vemos os ossinhos todos salientes. Quem lida com isto todos os dias sabe que é assim e não há nada que se possa dizer, ou fazer, que nos faça mudar de opinião.

 

Eu e a anorexia somos velhas amigas. Conhecemo-nos quando eu tinha 16 anos, quando cheguei aos 20 éramos inseparáveis e depois apanhei um susto gigantesco que me fez pôr um certo travão nesta amizade obsessiva e pouco saudável mas, continuamos amigas até aos dias de hoje. É um bom exemplo de uma amizade de longa duração, mesmo que tenha momentos muito pouco saudáveis. Sim, porque estes momentos continuam a existir, não têm é a mesma intensidade que tinham e ao longo do tempo também fui coleccionando alguns mecanismos de defesa que me permitem gerir um bocado melhor situações passíveis de me causarem maior ansiedade.

 

Todavia, deixem-me dar-vos uma dica importante; o corpo é apenas uma das partes da coisa. Não é a coisa toda. Não vos vai servir de nada tentar restaurar o corpo se a cabeça não acompanhar o processo. Uma coisa não funciona sem a outra.        

 

Mas, vamos falando sobre isto aos poucos. Afinal, tenho mais 364 dias para falar sobre esta temática.

 

 

 

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