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A Diva do Sofá

Porque a vida em tons de cor-de-rosa é tão gira que devíamos atropelá-la com um camião TIR.

A Diva do Sofá

Porque a vida em tons de cor-de-rosa é tão gira que devíamos atropelá-la com um camião TIR.

A Diva versus Religião

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 Normalmente nunca sei sobre o que é que vou escrever nos dias em que publico aqui no blogue. Tenho sempre imensas ideias, muitas vezes até tenho agendado o que vou escrever nos dias previstos mas depois mudo tudo à última da hora. Por isso deixei de planear publicações com antecedência, apesar de dar imenso jeito fazê-lo.

 

Hoje vinha no autocarro a pensar sobre o que é que iria escrever. Primeiro pensei em dizer mal dos Dinamarqueses (que é giro e escreverei sobre tal noutra altura), depois pensei em falar-vos um pouco dos bons projectos feitos nas nossas escolas (que também é muito giro e sobre o qual também falarei a seu tempo porque ainda não decidi em que moldes é que vou fazê-lo), depois pensei em falar sobre nacionalismos actuais e respectiva comparação com as vagas nacionalistas do século XIX (que são muito parecidos mas não sei até que ponto isto não se pareceria mais com um texto académico), depois também pensei em falar sobre os acontecimentos em Barcelona, mas achei que não era apropriado alimentar e/ou dar visibilidade a práticas com as quais discordo. No entanto, na sequência deste último decidi que ia falar sobre as minhas experiências com a religião.

 

Eu não tenho nenhum credo religioso e nem sequer sou baptizada. Gosto da temática da religião como uma área de estudo ligada à antropologia ou à antropossociologia, gosto do tema como fonte de inspiração para enredos de histórias fantásticas, mas não gosto da religião como algo que deva ser levado a sério. Ao contrário de Descartes, não acredito no dualismo da alma mas compreendo e aceito que - por algum tipo de necessidade - as pessoas encontrem conforto espiritual neste tipo de crenças. Posto isto, importa também dizer que o meu relativismo cultural termina no exacto momento em que me tentam impôr uma fantasia que atenta contra o meu modo de vida e/ou valores. 

 

Os meus encontros com a religião começaram quando entrei para o 1º ciclo da escola preparatória e fui obrigada a frequentar aulas de Religião e Moral... que desgraça... primeiro aquelas aulas nunca chegavam ao fim porque a maioria dos miúdos iam para a rua antes da aula acabar, segundo nunca percebi porque é que tinha de estar ali sentada, durante 1 hora, a ouvir uma senhora a contar histórias chatas que estavam num livro e terceiro nunca ninguém me explicou porque é que eu tinha de acreditar naquilo. 

 

Mais tarde (sim, porque isto durou até ao 7º ano), as minhas questões começaram a tornar-se mais elaboradas, mais complexas e ninguém me dava respostas que eu considerasse minimamente satisfatórias. Concluí então que se era para acreditar em algo no domínio do fantástico, nesse caso mais valia acreditar naquilo que eu queria e não naquilo que me queriam impingir.

 

Entretanto à medida que fui crescendo, estes encontros com elementos de religiões diferentes foram-se tornando mais engraçados. Uma vez, com umas testemunhas de Jeová deu-me uma crise de riso tão grande que para além de chorar até fiquei com soluços. Coitadinhos... eles abriam a boca e eu já me estava a rir, bem que eu tentava dizer que não estava a gozar com eles mas não conseguia parar de rir. Felizmente, o meu namorado da altura - que era muito mais politicamente correcto - interveio mas foi muito dificil parar de rir.

 

Noutra vez foi um rapaz Turco que era participante num dos nossos seminários. Ele era super simpático o pobrezinho, mas cometeu o erro de me perguntar o que é que eu achava da entrada da Turquia na União Europeia. Respondi-lhe 3 vezes que não era uma boa ideia ele fazer-me essa pergunta. Quando me perguntou porquê, disse-lhe que não ia gostar da resposta. Quando ele me fez a pergunta pela 4ª vez, eu dei-lhe a resposta que ele não queria ouvir. A partir daí, passou o tempo todo a falar-me do Islão e no fim até me ofereceu uma revistinha. Dentro deste mesmo tema do Islão, antes deste episódio tinha tido outro na Universidade com uma colega minha em que um dia, estava a dizer-lhe cobras e lagartos dos muçulmanos, e de facto percebi que ela estava um bocado calada. Quando acabei o meu discurso, ela vira-se para mim e diz-me assim: "Então isso quer dizer que não gostas de mim?".

 

Respondi-lhe: "Mas estás parva? Porque razão é que não haveria de gostar de ti?"

 

Contra-resposta: "Ah é que eu sou muçulmana."

 

E isto meus caros, é o que se chama "Toma e embrulha".

 

Todavia, pensariam vocês que a coisa ficaria por aqui. Mas não.... Olhei para ela, dei-lhe um abracinho e um beijinho na testa e respondi; "Ooooooh fofinha! Que disparate. É claro que gosto muito de ti... além disso todos temos os nossos defeitos, pronto."

 

O episódio mais recente que na verdade não chegou a acontecer (mas foi pena porque gostava de ver o que é que tinham para dizer), foi com os Mormons. Não houve grande espaço para qualquer tipo de interacção ou troca de ideias porque o meu marido me arrastou dali para fora (ele não gosta muito de religiões), mas pronto tenho a certeza que haverão outras oportunidades. Até lá deixo-vos com um projeto que se chama "The Atheist Experience", e o episódio da Evolução e da Banana que é hilariante.

 

 

  

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